derivar é sempre um problema, podemos andar à deriva pelo mundo mas nunca devemos derivar para longe do que somos, podemos perder-nos nas multiplas derivadas da nossa personalidade mas há que manter a base que faz de nós o que somos...mas como sabemos se o nosso eu verdadeiro é de facto o que somos hoje e não o de amanhã, já que deixamos de ser o de ontem?
hoje olho para trás e não me reconheço no que vejo...mas será que um dia vou olhar para trás e o que não vou reconhecer será quem sou hoje?
somos seres em metemorfose constante, mudando, aprendendo todos os dias, fazendo ao longo do tempo diferentes leituras das nossas vivencias...tudo na vida contem uma lição, cabe-nos saber retira-la das aprendizagens mais simples às mais dolorosas, aprefeiçoando-nos, tornando-nos pessoas melhores...mas humildes na nossa imperfeição de seres humanos...
poderei eu dizer entao que ao invés de ter mudado apenas me redefini? redefeni-me como minha prioridade, redefeni a minha forma de encarar a vida, redefeni a minha forma de lidar com quem me rodeia, redireccionei energias, reencontrei metas e ambições quase esquecidas, reencontrei acima de tudo parte de mim que quase tinha perdido e esse meu lado trouxe com ele faces de mim mesma que nem conhecia...uma nova energia, uma nova confiança, uma nova forma de me ver e de apreciar quem sou...
não, não derivei para longe de mim, tive a sorte de ao me deixar andar à deriva tropeçar em quem sou e reencontrar-me comigo...
cada vez sou mais eu, mais aquela que já há muito não era se é que algum dia fui completamente...sem medo de ser criticada, sem depender da opinião dos outros, sem a necessidade passiva de agradar e integrar-me, sem correntes nem barreiras, sem mascaras nem fachadas...
comigo quem quiser, contra mim quem puder...
já dizia o Zeca, "seja bem vindo quem vier por bem", quanto ao resto...quem não gosta não come!
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