sábado, 29 de outubro de 2005

Sometimes I'd like to sleep for a thousand years...


o prazer do silencio...
da calma...
do sossego...
da paz...
da solidão...

onde não existem gritos...
nem choros...
nem desespero...
nem injustiças...

onde o tempo parou e paramos com ele, onde estamos sós e completos nessa solidão...o mundo ao alcanse de um gesto, um abrir de olhos, um acordar...mas até lá a simplicidade do vazio, da noite, da perfeiçao...

Lisboa

Saudade...
Desse tempo que passou
Dessa infância perdida
Desse tempo de sonho, lembrança querida
Mas que um dia acabou
E quando passo por algum lugar
Que me é familiar
É como regressar
A um tempo onde era feliz sem me preocupar

Vontade...
De partir
De deixar para trás o que passou
Ir de encontro ao que sou
E saber voltar a sorrir
De deixar
De me preocupar
E poder regressar
Àquela que me sabe completar

Essa Cidade...
Magica
Enfeitiçante
Embriagante
Mística
Que eu olho no Tejo
E ele reflecte o meu desejo
E a brisa me dá um beijo
E eu amo tudo o que vejo

Capital do meu coração
Refugio de uma lembrança
Do tempo em que era criança
E cativas-te a minha atenção
Atravesso esse rio sob o olhar do Cristo Rei
Pensando nas vezes que por ali passei
Aceitando o que fui, vendo o que sou e pensando em quem serei
Sabendo apenas que nada se

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Alma minha


Céu cinzento, nuvens escuras
Caem do céu lagrimas puras
Iguais às que caem dos olhos meus
Por não puderem olhar os teus

E eu na rua sem pressa de fugir a chuva
Provo esta água que me vem tocar os lábios
Com o toque de uma luva
Selar a veludo os segredos de que somos sábios

Esta chuva é salgada do choro de cada alma que se perde
E sofre com a separação
E eu, digo à minha que não chore
Porque já não tarda o tempo de união

Alma gémea, alma minha
Que esta saudade que se aninha
Já só me deixa viver suspirando por ti
Sonhando o futuro no presente, querendo ter-te aqui

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Por do sol

Sento-me e fecho os olhos...deixo que a minha mão encontre o papel livremente e desenhe a seu gosto as palavras que o coração sente...o vento que sopra e me vem beijar a face é reconfortante e fresco...da janela vejo que o sol se põe sobre a cidade e a tinge com as suas cor quentes de fogo, de verão...e sinto que ele está a chegar ao fim...o vento que começa a soprar mais forte tenta arrancar as folhar mais secas das arvores que vão tecendo um tapete dourado à sua volta...esse vento que sopra de longe, que faz ondular os cabelos ao sabor da sua vontade e nos faz sentir como se voássemos é ainda incerto...parou agora e eu abro os olhos...à medida que as luzes da cidade se vão acendendo o céu toma os tons de um azul profundo de veludo onde começam a assentar os mais belos diamantes...no lado oposto, revelando-se timidamente aos poucos a lua começa a tomar forma...a sua luz banha a minha janela e convida-me a sair, a procurar no escuro da noite os encantos escondidos de uma cidade quase deserta...sinto o cheiro a maresia...é a lua que na sua voz silenciosa comanda o mar e me elude os sentidos trazendo a saudade...sinto ainda a areia molhada nos pés e água salgada a banhar-me as pernas...o som do bater das ondas...o cheiro revigorante da praia e o sabor do mar na minha boca...não ouso abrir os olhos para não perder este sol que se põe na praia, esta lua que se acende no céu como uma pérola rodeada de pequenos brilhantes...o vento voltou e trouxe-me de volta à cidade...já é noite, já é tarde para sair...fico-me pela minha janela olhando o horizonte enquanto a minha alma viaja saudosamente por entre memórias distantes...

por ti

Por ti
Que me matem!
Que me levem e torturem
Que me façam provar o inferno e implorar pelo céu
Que tudo eu enfrentaria de novo por um beijo teu
Que o destino nos pregue rasteiras
E a vida imponha distância entre o teu corpo e o meu
Separar-nos?
Que tentem de todas as maneiras
Que o meu coração nunca vai deixar de ser teu
Nesta guerra do amor eu estarei nas fileiras
Disposta a lutar darei o meu sangue, a minha alma, a minha vida
Contra as saudades cruzarei todas as fronteiras
Serei livre e nunca estarei perdida
Porque tu és o meu norte
E eu sei que serei forte
E nunca serei vencida

declaração de guerra

Quem sois vós? Vós que me forçais a uma prisão sem vida. Que prendeis as minhas asas e não me deixais voar. Que acorrentais o meu corpo a uma prisão terrena e o impedis de acompanhar a minha alma ate aos céus onde pertenço. Vossas correntes são o medo. Vosso carcereiro o sofrimento. E as minhas asas? Essas levaste-as para longe de mim, para fora do meu alcance... Face às minhas lagrimas vosso desdém sobressai. Quando vos peço, imploro por misericórdia ignorais-me. E eu aconchego-me na solidão fria desta escura prisão...minha única companhia são os suspiros que dou e os soluços silenciosos que acompanham as minhas lagrimas nas noites sem fim que passo a chorar... Esta prisão não tem barras, nem paredes, nem portas, nem guardas...é de vidro, invisível aos olhos humanos, inquebrável e inviolável, afastando-me dos que tentariam libertar-me...afundando-se para longe do meu horizonte, drenado as minhas foças e esperanças e alimentando-se da minha alma...chegará a um ponto em que eu estarei longe de tudo que queria e gostava e eu já não serei eu, serei algo, criado à vossa imagem e desejo...vosso plano perfeito era à prova de tudo que conhecíeis...e eu aprisionada a leste da realidade desconhecia o meu próprio poder, a minha força, achando-me incapaz de vos fazer frente...libertar-me era impossível...fugir impensável... Mas agora, agora que reconheço as minhas armas e a minha força pretendo lutar, dar ate ao último sopro de vida em mim para alcançar a minha liberdade...a força que trago em mim é o Amor, minha arma a Esperança, e meu escudo o Coração. Não conheço vossa face. Quem sois, o que pretendeis ou que dificuldades me reservais também não conheço e não me importa conhecer. Sei apenas que esta é a minha declaração de guerra a tudo que me prende e se puser no meu caminho impedindo-me do realizar o que quero. E o que quero eu? Apenas ser feliz. Estarei pronta, enfrentarei até a morte nesta jornada, nesta luta, nesta última batalha pela liberdade, a minha liberdade! Termino esta missiva não com uma ameaça mas com um aviso, para que vós não percais vosso tempo entrando numa guerra que não podereis ganhar. A vitória em vida ou em morte será minha.

alma perdida

Ai de mim que hoje choro
Que sofro mais uma vez
Que sem saber porque desespero...
Eu disse sem saber?
Mentira....
Eu sei mas não quero saber!
Desta dor conheço a razão sem conhecer
Já me habituei a sofrer
Não procuro razões
Desconheço as respostas às questões
Lagrimas?
Já n m restam pra chorar
Dor?
Já se aninha no abrigo do meu peito
Não durmo
Não como
Deixo-me neste chão definhar
Deixo-me aqui deitada soluçar

Perdida
Abandonada
Largada
Esquecida
Na solidão das sombras da noite escura
Essas que me envolvem e me abrigam
Essas que me escondem a tristeza crua
As sombras da lapide fria
Dizendo em letras apagadas “aqui jaz frio na pedra
dura o corpo abandonado duma alma perdida”