quinta-feira, 27 de outubro de 2005
declaração de guerra
Quem sois vós? Vós que me forçais a uma prisão sem vida. Que prendeis as minhas asas e não me deixais voar. Que acorrentais o meu corpo a uma prisão terrena e o impedis de acompanhar a minha alma ate aos céus onde pertenço. Vossas correntes são o medo. Vosso carcereiro o sofrimento. E as minhas asas? Essas levaste-as para longe de mim, para fora do meu alcance... Face às minhas lagrimas vosso desdém sobressai. Quando vos peço, imploro por misericórdia ignorais-me. E eu aconchego-me na solidão fria desta escura prisão...minha única companhia são os suspiros que dou e os soluços silenciosos que acompanham as minhas lagrimas nas noites sem fim que passo a chorar... Esta prisão não tem barras, nem paredes, nem portas, nem guardas...é de vidro, invisível aos olhos humanos, inquebrável e inviolável, afastando-me dos que tentariam libertar-me...afundando-se para longe do meu horizonte, drenado as minhas foças e esperanças e alimentando-se da minha alma...chegará a um ponto em que eu estarei longe de tudo que queria e gostava e eu já não serei eu, serei algo, criado à vossa imagem e desejo...vosso plano perfeito era à prova de tudo que conhecíeis...e eu aprisionada a leste da realidade desconhecia o meu próprio poder, a minha força, achando-me incapaz de vos fazer frente...libertar-me era impossível...fugir impensável... Mas agora, agora que reconheço as minhas armas e a minha força pretendo lutar, dar ate ao último sopro de vida em mim para alcançar a minha liberdade...a força que trago em mim é o Amor, minha arma a Esperança, e meu escudo o Coração. Não conheço vossa face. Quem sois, o que pretendeis ou que dificuldades me reservais também não conheço e não me importa conhecer. Sei apenas que esta é a minha declaração de guerra a tudo que me prende e se puser no meu caminho impedindo-me do realizar o que quero. E o que quero eu? Apenas ser feliz. Estarei pronta, enfrentarei até a morte nesta jornada, nesta luta, nesta última batalha pela liberdade, a minha liberdade! Termino esta missiva não com uma ameaça mas com um aviso, para que vós não percais vosso tempo entrando numa guerra que não podereis ganhar. A vitória em vida ou em morte será minha.
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